.

DIA DA TERRA: FILÓSOFO HOLANDÊS ESCREVE CARTA À HUMANIDADE



22/04/2017

Koert van Mensvoort, filósofo holandês – fundador da Next Nature Network e membro da ‘Next Nature’ na Universidade de Tecnologia em Eindhoven – escreveu uma ‘Carta para a Humanidade’ em apoio ao Dia Internacional da Terra, comemorado no dia 22 de abril. Em sua carta, ele convoca a humanidade a evitar se tornar escrava e vítima de sua própria tecnologia, mas empregar a tecnologia para aprimorar a raça humana.

Sua carta está endereçada a todas as 7 bilhões de pessoas na Terra. Ela foi traduzida em 25 idiomas de todo o mundo e está endossada por embaixadores internacionais como o astronauta André Kuipers, o filósofo Bas Haring, o designer Daan Roosegaarde, o apresentador da National Geographic Jason Silva e a professora de arquitetura experimental Rachel Armstrong.

Na carta, Van Mensvoort descreve como o homem entrou em uma nova fase evolucionária e que, além de criar a biosfera, atualmente também criou a suposta tecnosfera. De acordo com ele, seu impacto é semelhante à evolução dos animais há 500 milhões de anos. “Sua presença está transformando a face da Terra de maneira tão profunda que ainda será evidente daqui a milhões de anos”, escreve ele.

De acordo com ele, o Homem está numa encruzilhada e pode fazer com que sua relação com a tecnologia se transforme num sonho ou num pesadelo. No cenário do pesadelo, a tecnologia possui um efeito parasita nos seres humanos e nos tornamos a primeira espécie a causar seu próprio fim. No do sonho, a tecnologia humana está baseada nas necessidades humanas como ponto de partida e, na verdade, é usada para criar um mundo mais natural. O último caminho é recompensador para a humanidade bem como para todo o planeta.

Koert van Mensvoort é filósofo, artista e membro da ‘Next Nature’ na Universidade de Tecnologia em Eindhoven. Ele é o fundador da Next Nature Network, uma fundação que explora e visualiza até que ponto estamos rodeados por uma tecnologia que está se tornando nossa ‘next nature’. Essa rede internacional agora possui membros em vinte países.

A carta em português pode ser lida em http://lettertohumanity.org/portugues/ ou abaixo.

Carta à Humanidade

Querida Humanidade,

Parece estranho escrever-te uma carta, admito. As cartas são geralmente dirigidas a um indivíduo ou a um grupo limitado de pessoas. Não é habitual escrever para a humanidade como um todo. Tu nem tens um endereço postal, e eu duvido que recebas muita correspondência. Ainda assim, pensei que estava na hora de te escrever.

Obviamente, eu compreendo que não posso chegar completamente a todos – porque a humanidade não só consiste em cada pessoa que está viva agora, mas também em todos os que já viveram. São 107 mil milhões de pessoas. E depois há todos os outros que ainda não nasceram – espero que haja muitos deles. Voltarei a isso mais tarde, mas antes de falar sobre o futuro, gostaria de olhar para trás.

Fizemos um longo caminho, querida humanidade.

Nenhum outro animal moldou os seus arredores tão completamente como tu. Começou há algum tempo, há cerca de 200.000 anos atrás. Naquela época, não existia nenhum prémio Nobel por ter a brilhante ideia de usar peles de animais para manter o calor, ou controlar o fogo, ou inventar a lança ou o sapato. Todas estas foram invenções excecionalmente inteligentes que não apenas te permitiram sobreviver no teu indisciplinado habitat natural original, como também te permitiu moldá-lo à tua vontade e dominá-lo.

Os seres humanos nem sempre foram tão poderosos. Durante muito tempo, foste uma espécie marginal, sem importância, localizada nalgum lugar no meio da cadeia alimentar, sem mais controlo sobre o teu ambiente do que os gorilas, borboletas ou alforrecas. Mantiveste-te vivo principalmente colhendo plantas, apanhando insetos, perseguindo pequenos animais e comendo carcaças deixadas por predadores muito mais fortes, com os quais viveste em constante medo.

Sabias que há mais variação genética no grupo de chimpanzés normal do que há entre os 7 mil milhões de pessoas que vivem na Terra hoje? Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os seres humanos quase se extinguiram uma vez e a população global de hoje descende de alguns sobreviventes. Esse facto obriga-nos a sermos modestos. Na realidade, é um milagre estarmos aqui.

Fisicamente, em comparação com muitos animais, os seres humanos são criaturas surpreendentemente frágeis. Que outro animal entra no mundo nu, gritando e relativamente desamparado, presa fácil para qualquer predador que apareça? Um cordeiro recém-nascido pode andar dentro de algumas horas; uma criança humana leva cerca de um ano para ficar sobre os seus próprios dois pés. Outros animais têm sentidos específicos, órgãos e reflexos que lhes permitem sobreviver em ambientes específicos, mas tu não estás naturalmente equipado para qualquer habitat em particular. No entanto, esta fraqueza aparente também provou ser uma força, permitindo-te a propagação da savana até ao Polo Norte, ao fundo do oceano e à Lua! Essa é uma conquista única.

Algumas pessoas até pensam que devias ir além da terra e povoar o universo. Por si mesmo, essa é uma ótima ideia, mesmo que seja para evitar que sejas destruído algum dia quando um meteorito maciço atingir o planeta. Isso seria uma vergonha. Para ser honesto, porém, penso que é um pouco cedo para procurares refúgio noutros mundos. Primeiro, vamos tentar resolver alguns problemas no nosso planeta natal. Porque tem que ser dito que a tua presença na terra causou problemas: aquecimento global, desflorestação, plástico nos oceanos, radiação ionizante, biodiversidade em declínio. É o suficiente para fazer uma pessoa deprimida. Às vezes parece que fazes mais mal do que bem!

Muitas vezes encontro pessoas que acreditam que o planeta seria melhor se não estivesses aqui. Espero não te ofender dizendo isso, querida humanidade, mas sinto-me obrigado a dizer-te que há aqueles entre nós que desconfiam de ti, olham para ti com desprezo ou simplesmente não gostam de ti porque pensam que estás a arruinar o planeta. Eu apresso-me a acrescentar que eu não sou um deles. Eu sempre tive dificuldade em entender tal misantropia, porque, em última análise, é uma forma de ódio próprio.

De onde vem essa desconfiança da humanidade? Numa investigação mais aprofundada, descobri que os infetados com ela têm uma imagem particular da humanidade que, na minha opinião, é completamente incorreta: eles vêem-na como uma espécie antinatural, que não pertence verdadeiramente à natureza romântica, bela e harmoniosa. Creio que este é um preconceito ingénuo que não nos ajudará a avançar, e devemos livrar-nos dele o mais rápido possível. Para entender essa ideia, precisamos de começar no início.

A Terra surgiu há mais de 4,5 mil milhões de anos. No início, não passava de uma pedra solitária no espaço, e levou mais de mil milhões de anos até que a biosfera do planeta se começasse a formar. Depois disso, levou cerca de 2 mil milhões de anos mais para as primeiras plantas multicelulares evoluírem. Outros mil milhões de anos depois, durante a explosão Cambriana, surgiu no planeta um tipo de vida completamente novo: os animais.

Os primeiros animais surgiram em cena há 500 milhões de anos. Não sabemos como as plantas, que já existiam há cerca de mil milhões de anos, sentiram o surgimento dos animais. Como sabes, as plantas gostam de ser deixadas em paz; Elas não se movem muito e retiram sustento do sol e do solo. Agora, eu não sei o que as plantas pensam, uma vez que eu não posso falar com elas, mas não me parece impossível que elas tenham achado agitado e desconfortável ter que aturar os animais ao seu redor. Talvez até tenham visto os animais como antiéticos, não apenas porque fundamentalmente não tinham raízes e viviam num ritmo inimaginável, mas mais porque faziam algo que naquela época era completamente novo, nunca visto e abominável: os animais comiam plantas.

Tudo considerado, a chegada dos animais pode não ter sido muito divertida para as plantas. A evolução é incessante, porém, e embora uma terra povoada apenas por plantas estava bem como estava, também era um pouco maçador, ou no mínimo, menos emocionante do que uma que continha animais também (eu vou poupar-te a uma descrição de como era no tempo em que a terra não tinha plantas, apenas pedras, o que era ainda mais maçador).

Então, de volta para o papel da humanidade. Assim como o surgimento dos animais abalou o mundo vegetal, a tua chegada também causou problemas. Lembra-te, acabaste de chegar aqui. Os animais existem há cerca de 2.000 vezes mais tempo que os humanos, e a vida vegetal simples há mais de 7.000 vezes mais tempo. Mas eu não estou a dizer isso para te obrigar à modéstia, porque eu penso que és incrível.

Embora sejas fundamentalmente uma espécie animal, há algo inteiramente único sobre ti, que tem menos a ver com a construção física humana – que, como eu disse, é menos do que impressionante – e mais com a tua tendência inerente para usar a tecnologia. Enquanto outras espécies de animais industriosos transformam os seus arredores – pensa em tocas de castor e montes de térmitas – nenhum deles o faz tão radicalmente como tu. Estou a usar a palavra “tecnologia” no sentido mais amplo: por “tecnologia”, quero dizer todas as formas como o pensamento humano tem um impacto no mundo que nos rodeia – roupas, ferramentas e carros, mas também estradas, cidades, alfabeto, redes digitais, e até mesmo empresas multinacionais e o sistema financeiro.

Desde que nasceste, estás a construir sistemas tecnológicos para te libertares das forças voluntárias da natureza. Começou com um teto sobre a tua cabeça que te protegeu de uma tempestade e tem prosseguido todo o caminho até às drogas modernas para o tratamento de doenças mortais. Tu és tecnológica por natureza. Mas como um peixe que não sabe que está a nadar na água, tendes a subestimar o quão intimamente a tua vida está entrelaçada com a tecnologia e quanto é feito para ti. Olha para a esperança de vida, por exemplo. No início da tua existência, o ser humano médio não poderia esperar viver muito além da idade de 30 anos. Em parte por causa das elevadas taxas de mortalidade infantil, podias contar com a tua própria sorte se ficasses por aí o tempo suficiente para te reproduzires. Da perspetiva da Mãe Natureza, isso é inteiramente normal. Se vires um casal de patos com uma dúzia de patinhos a nadar atrás deles na primavera, não deves surpreender-te se existirem apenas dois, ou com sorte talvez três, restantes até ao fim do verão.

A tecnologia faz parte de nós, da mesma forma que as abelhas e as flores evoluíram para serem interdependentes. À medida que as abelhas apanham o néctar, elas ajudam as flores a reproduzirem-se, espalhando o seu pólen. Os seres humanos são dependentes da tecnologia, e vice-versa. A tecnologia precisa de nós para se espalhar e reproduzir. E a humanidade, que ajuda enorme tem sido nesse ponto! A tecnologia tornou-se tão omnipresente no nosso planeta que abriu um novo ambiente, um novo cenário, que está a transformar toda a vida na Terra. Uma tecnosfera – uma ecologia de tecnologias interativas que evoluiu após a tua chegada – desenvolveu-se em cima da biosfera existente. O seu impacto sobre a vida na Terra dificilmente pode ser subestimado e é comparável, e talvez ainda maior, ao do aparecimento dos animais há 500 milhões de anos.

De uma perspetiva evolucionária, tudo isso é o habitual. A natureza baseia-se sempre nos níveis de complexidade existentes: a biologia baseia-se na química, a cognição baseia-se na biologia, o cálculo baseia-se na cognição. Mas do seu ponto de vista, é excecional. Não consigo pensar noutra espécie cuja presença tenha desencadeado uma nova fase evolucionária, libertando-se de uma evolução baseada em compostos de ADN, gene e carbono, com milhões de anos. Assim como o ADN evoluiu a partir do ARN, as tuas ações tornaram possível um salto para a evolução não genética em novos materiais, como chips de silício. Embora não tenha sido um ato consciente, as consequências não são menores. A tua presença transformou a face da Terra tão fundamentalmente que o impacto ainda será visível daqui a milhões de anos. Esta é a tua obra, mas, até agora, tu mal pareces tê-lo percebido, e muito menos foste capaz de tomar uma posição clara em relação a isso.

Agora, eu compreendo que isso está longe de ser uma tarefa simples, só porque tu, a humanidade, não és um único ser pensante, mas uma confusão de milhões de indivíduos, todos com os seus próprios pensamentos, necessidades e desejos, que não estão realmente equipados biologicamente para pensar a um nível planetário em larga escala. No entanto, parece-me ser a questão mais premente do momento. Tu estás numa encruzilhada. E é por isso que te estou a escrever.

No que diz respeito ao futuro, vejo dois caminhos possíveis ao longo dos quais podes desenvolver uma relação coevolucionária com a tecnologia: o caminho dos sonhos e o dos pesadelos. Vamos começar com os pesadelos. Toda a relação coevolucionária – seja entre abelhas e flores ou entre humanos e tecnologia – corre o risco de se tornar parasita. As relações parasitas, em contraste com as simbióticas, carecem de reciprocidade. Uma sanguessuga, uma ténia ou um cuco não devolvem nada ao seu hospedeiro; apenas tiram. Poderia a tensão que sentimos em torno da tecnologia ter algo a ver com isso? Apesar de usarmos a tecnologia desde tempos imemoriais, porque nos serve e estende as nossas capacidades, os seres humanos correm o risco de ser os que servem a tecnologia, de se tornarem um meio em vez de um fim, tornando-se hóspedes da tecnologia. Um exemplo pode ser visto na esfera farmacêutica. A medicação é, sem dúvida, uma tecnologia que salva vidas, mas quando as empresas farmacêuticas tentam maximizar os seus próprios números de crescimento, convencendo todos os que se desviam da média estatística de qualquer forma que ele ou ela tem uma doença e precisa do medicamento apropriado, temos que perguntar se eles estão realmente a servir a humanidade ou apenas a satisfazer as necessidades da indústria e dos seus acionistas.

Onde fica exatamente a fronteira entre as tecnologias que facilitam a nossa humanidade e aquelas que nos encaixotam e roubam o nosso potencial inato? O espectro final é que tu, a humanidade, acabas por te tornar nada mais do que o órgão sexual que um organismo tecnológico maior requer para se reproduzir e se espalhar. Formas de vida encapsuladas dentro de outras maiores podem ser encontradas noutras partes da natureza: por exemplo, pensa na flora intestinal que executa várias tarefas úteis dentro dos nossos corpos. Será que em breve não seremos mais do que os micróbios na barriga da besta tecnológica? Nesse ponto, a humanidade não será mais um fim, mas um meio. E eu não vejo isso como desejável, porque eu sou uma pessoa, e eu estou a jogar pela equipa da humanidade.

Agora para o sonho.

O sonho é que tu acordas e percebes que ser um humano não é um ponto final, mas um processo. A tecnologia não altera só o nosso ambiente, em última análise, altera-nos. As mudanças vindouras permitirão que tu sejas mais humano do que nunca. E se usarmos a tecnologia para ampliar as nossas melhores qualidades humanas e para nos apoiar nas nossas fraquezas?

Poderíamos chamar a essa tecnologia de humana, à falta de uma palavra melhor. A tecnologia humana tomaria as necessidades humanas como ponto de partida. Isso serviria os nossos pontos fortes, em vez de nos tornar supérfluos. Ela expandiria os nossos sentidos ao invés de os embotar. Seria sintonizada com os nossos instintos; pareceria natural. A tecnologia humana não só serviria os indivíduos, mas, em primeiro lugar, a humanidade como um todo. E por último mas não menos importante, iria perceber os sonhos que nós os seres humanos temos sobre nós próprios.

Então, com o que sonhas? Voar como um pássaro? Viver na Lua? Nadar como um golfinho? Comunicar pelo sonar? Telepatia com os teus entes queridos? Igualdade entre os sexos e as raças? A empatia como um sexto sentido? Uma casa que crescesse com a tua família? Queres viver mais? Talvez pudesses viver para sempre.

Ouve, humanidade: tu já foste uma espécie relativamente insignificante, mas os teus dias de infância acabaram. Graças à tua inventividade e criatividade, levantaste-te da lama da savana. Tornaste-te num catalisador evolucionário que está a transformar a face da Terra. Esse processo não está completo. Tu és uma dobradiça entre a biosfera de onde surgiste e a tecnosfera que surgiu após a tua chegada. O teu comportamento afeta não apenas o teu próprio futuro, mas o planeta como um todo e todas as outras espécies que vivem nele. Essa não é uma responsabilidade pequena.

Se não pensas que estás equipado para isso, devias ter ficado na tua caverna. Mas esse não é o teu estilo. Tens sido tecnológica desde o dia em que nasceste. O desejo de voltar à natureza é tão compreensível quanto impossível. Não só seria covarde diante do desconhecido, mas negaria a tua humanidade. Não podemos imaginar o futuro da humanidade sem pensar no futuro da tecnologia. Deves seguir em frente – mesmo que só agora tenhas chegado aqui. Tu és uma adolescente, mas está na hora de crescer. A tecnologia é o autorretrato da humanidade. É a materialização do engenho humano no mundo físico. Vamos fazer uma obra de arte de que nos possamos orgulhar. Vamos usar a tecnologia para construir um mundo mais natural e traçar um caminho para o futuro, que funcione não só para a humanidade, mas para todas as outras espécies, o planeta e, finalmente, o universo como um todo.

Para encerrar, eu gostaria de te pedir que faças algo. Gostaria de convidar cada um de vocês – vivendo e ainda não nascido, na Terra e noutros lugares – a fazer uma simples pergunta sobre cada mudança tecnológica que aparece na tua vida: isto aumenta a minha humanidade?

A resposta geralmente não será preto ou branco, sim ou não. Mais frequentemente, será algo como 60 por cento sim, 40 por cento não. E às vezes discordarás com outras pessoas e terás de debater o assunto antes de chegar a um acordo. Mas isso é bom. Se todos nós consistentemente optarmos por tecnologia que aumenta a nossa humanidade, eu sei que vais ficar bem. Como? Isso continua por ser visto. Ninguém sabe como serão os seres humanos daqui a um milhão de anos, ou se haverá até mesmo seres humanos, e se assim for, se eu os reconheceria como humanos. Vamos aceitar implantes? Reprogramação do nosso ADN? O dobro do tamanho do nosso cérebro? Comunicar telepaticamente? Brotaram asas? Eu não sei e não posso saber. Mas a minha esperança é que daqui a um milhão de anos ainda haverá uma coisa como a humanidade. Porque enquanto houver humanidade, haverá seres humanos.

Do núcleo da minha humanidade humilde e imperfeita, desejo-vos felicidade, amor e uma viagem longa e empolgante.

Na expectativa de que trarás triliões de pessoas mais, tudo de melhor,

Koert van Mensvoort

PS: Nota para o leitor individual: Depois de leres esta carta, por favor passa-a a um dos teus companheiros humanos. Se quiseres fazer mais, também podes copiar, traduzir, reimprimir e distribuí-la. A humanidade somos todos nós.

NASA DESCOBRE NOVO PLANETA QUE PODE ABRIGAR VIDA

Planeta: para o especialista, embora a presença de água no novo planeta 
“não seja a arma fumegante da existência da vida, ela nos dá uma boa 
indicação” sobre as condições locais (./Reprodução)

21/04/2017

Por Monica Nardone, da ANSA

O planeta LHS1140b é rochoso, um pouco maior do que a Terra e está a 39 anos-luz

Roma – A Nasa anunciou nesta quarta-feira (19) um novo planeta externo ao Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que mais tem probabilidade de abrigar vida. Batizado de LHS1140b, o planeta é rochoso está na distância correta de sua estrela para ter um clima ameno e água líquida.

Descrito detalhadamente pela revista “Nature”, o planeta é um pouco maior do que a Terra e está a 39 anos-luz.

Ele foi descoberto pelos pesquisadores liderados por Jason Dittmann, do centro norte-americano Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

A característica que torna o LHS1140b o mais fascinante dos planetas descobertos até agora é a posição que ocupa próximo a sua estrela, chamada de LHS1140. Essa última é um pouco menor e mais fria em relação ao Sol e o planeta está no meio da chamada “zona habitável” para a vida.

“É o exoplaneta mais emocionante que já vimos nos últimos 10 anos”, disse Dittmann à revista. “Dificilmente poderia ser encontrado um objetivo melhor para procurar vida além da Terra”, acrescentou o pesquisador.

Também para Raffaele Gratton, do Observatório de Pádua do Instituo Nacional de Astrofísica (Inaf), esse é um planeta muito interessante.

O próximo objetivo, destacou Gratton, será observar a sua atmosfera para “ver, por exemplo, se ele é dominado por vapor de água, como ocorre na Terra, ou por dióxido de carbono, como na atmosfera de Marte ou de Vênus”.

Para o especialista, embora a presença de água no novo planeta “não seja a arma fumegante da existência da vida, ela nos dá uma boa indicação” sobre as condições locais.

O novo astro foi localizado graças aos telescópios Mearth-South Array, do Chile, o novo planeta está inserida na constelação de Cetus.

Estima-se que ele tenha um diâmetro 1,4 maior do que a Terra, mas a sua massa pode ser até sete vezes maior, o que o tornaria muito denso.

Isso implica que esse novo mundo poderia ser facilmente feito de rocha, com um núcleo de ferro muito denso.

Segundo os astrônomos, o planeta LHS1140b é um objetivo ainda mais importante para a busca da vida em relação a outros mundos rochosos, como os planetas da estrela Trappist 1 ou o “gêmeo” da Terra, o Proxima B, que orbita em torno da “estrela próxima de casa”, a Proxima Centauri.

Entre os planetas potencialmente habitáveis, “esse é o mais fácil de estudar com os atuais instrumentos”, acrescentou Gratton. O planeta LHS1140b, continua, “gira em torno de uma estrela mais brilhante que Trappist 1 e isso permite que o estudemos melhor enquanto passa em frente ao seu astro”.

Essa é ainda uma vantagem sobre o Proxima B, que não permite observação da Terra quando passa por sua estrela.

Este conteúdo foi publicado originalmente no site da ANSA Brasil.

Fonte: EXAME.com

MUDA DA ÁRVORE DE GUERNICA NOS JARDINS VATICANOS, COMO SÍMBOLO DA PAZ

Painel "Guernica", de Picasso, imortalizou o bombardeio sobre a localidade - AFP

21/04/2017 
:
Bilbao (RV) - "Agora temos outro sonho, que é o de plantar uma muda nos Jardins do Vaticano, como símbolo da paz".

2017 é o ano que recorda os 80 anos do bombardeamento de Guernica, mais precisamente no dia 26 de abril. Em memória a estes tristes acontecimentos e também para lançar uma mensagem de esperança e paz, uma delegação basca, guiada por Ana Otaduni, plantou esta semana em Auschwitz uma muda vinda da Árvore de Guernica. O desejo, é fazer o mesmo no Vaticano, explicou ela.

"Estamos trabalhando para que se torne realidade, com a colaboração de lehendakari e do Bispo de Bilbao, Dom Mario Iceta. É um local que pode receber uma muda. No entanto, não esquecemos de outras cidades simbólicas, como Hiroshima e Nagasaki, que padeceram com os bombardeios atômicos".

Auschwitz

"Unir dois povos que, décadas após terem sofrido atrozes violações dos direitos humanos, tornaram-se exemplo de memória e reconciliação". Com este objetivo, e no âmbito dos 80 anos do bombardeio de Guernica, a delegação guiada pelo político Urkullu lehendakari e pela Presidente da Junta de Bizkaia, Ana Otadui, viajou à Polônia na última quarta-feira, para plantar uma muda da célebre Árvore no Campo de Concentração de Auschwitz.

A Árvore de Guernica é o símbolo mais universal do povo basco, que após o bombardeio, tornou-se o símbolo de seu desejo de paz.

"Com o plantio da muda, queremos unir os símbolos de Guernica e Auschwitz - explica Ana Otadui. Guernika representa o início das atrocidades da Segunda Guerra Mundial, como um ensaio do bombardeamento massivo contra a população civil. E Auschwitz, sem sombra de dúvidas, representa o maior expoente da máquina de matar nazista, das atrocidades que o ser humano é capaz de chegar a cometer", acrescenta.

O gesto é marcado por uma simbologia de esperança. "A Árvore do desejo de paz do povo basco lança raízes na terra que conheceu o maior dos horrores que se poderia imagina. O anseio pela paz, a luta pelos direitos humanos", ressalta.

Os horrores na Espanha foram imortalizados por Picasso na sua célebre obra "Guernica", que poderia  chamar-se a "Aleppo" de hoje, observa Ana.

A delegação basca também encontrou-se com sobreviventes do Holocausto, oportunidade em que foi debatido o significado dos dois acontecimentos: Gernika e Auschwitz, recordando também memória dos espanhóis que também conheceram os horrores dos Campos de Concentração.

A Árvores de Guernica é um símbolo respeitado por todos os bascos dos sete territórios. A primeira muda em 2017 foi plantado em Sartaguda, Navarra.

O Bombardeio de Guernica ocorreu durante a Guerra Civil espanhola, em 26 de abril de 1937, por  aviões alemães da Legião Condor.

O ataque destruiu a maior parte da localidade, na época com 5.000 à 7.000 habitantes, procando centenas de vítimas. Foi considerado um ataque terrível na época e usado como uma propaganda amplamente difundida no Ocidente, levando a acusações de "atentado terrorista" e de que 1.654 pessoas teriam morrido no ataque. Estimativas modernas avaliam no entanto, como entre 300 e 400 o número de mortos. Alguns estudos espanhóis recentes, porém, limitam a não mais de 160 o número de mortos.

O ataque, que serviu também para testar aviões de guerra e ganhar experiências no combate aéreo, apoiou as forças de Francisco Franco que invadiram a cidade poucos dias depois do bombardeio. (JE)

A BVRIO PROMOVE O USO DE CRÉDITOS DE LOGÍSTICA REVERSA PARA A REMUNERAÇÃO DOS SERVIÇOS AMBIENTAIS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE CATADORES



21/04/2017

Existem hoje no Brasil cerca de 800.000 catadores de materiais recicláveis atuando na coleta e triagem de resíduos sólidos pós-consumo. Responsáveis por mais de 70% de toda a coleta seletiva realizada no país, catadores vêm se estruturando por meio de cooperativas ou associações e a atividade de catação, hoje reconhecida como profissão, representa um meio concreto de inclusão produtiva para uma parcela significativa da população brasileira.

Historicamente os catadores são remunerados unicamente pela venda do material triado, mas não pelo serviço ambiental que resulta da coleta e triagem, ou seja, a atividade de logística reversa. Essa externalidade positiva resultante da atividade dos catadores, que beneficia a sociedade em geral e, em particular, àqueles que tem a responsabilidade legal de realizar a logística reversa, deve ser remunerada.

Reconhecendo a enorme dimensão social e ambiental do serviço prestado pelos catadores, a lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina que todos os instrumentos de execução da lei devem contemplar os catadores, com vistas a promover a estruturação e o desenvolvimento de cooperativas e a sua emancipação econômica. Em particular, qualquer sistema de logística reversa que vier a ser implementado para o setor de embalagens deve promover a inclusão produtiva dos catadores.

Créditos de Logística Reversa de Embalagens representam a atividade de coleta e triagem realizada pelas Cooperativas de Catadores. Além de constituir um instrumento de inclusão produtiva e geração de renda para os catadores (adicional à venda dos materiais) e contribuir para a formalização, desenvolvimento e fortalecimento das cooperativas, os Créditos de Logística Reversa constituem um modo eficiente para as empresas cumprirem suas obrigações legais.

.

Mercado de Créditos de Logística Reversa da BVRio

Como forma de promover a implementação da logística reversa de forma eficiente e com a efetiva remuneração dos catadores, a BVRio desenvolveu um Mercado de Créditos de Logística Reversa.

Os CLR são emitidos e vendidos pelos atores que efetivamente coletam resíduos (ou seja, catadores), e comprados pelos atores que necessitam fazer a logística reversa para cumprir com suas obrigações perante a lei. O processo de criação dos créditos envolve o registro de toda a atividade de coleta, triagem e venda do material triado em um Sistema de Gestão eletrônico. Os CLR são emitidos por tipo de material triado e vendido com nota fiscal eletrônica.


O uso de Créditos de Logística Reversa traz vantagens econômicas, sociais e ambientais:

Do ponto de vista social: o mecanismo viabiliza o pagamento de centenas de milhões de reais por ano pelos serviços prestados pelos catadores (ou seja, de forma adicional à receita obtida com a venda dos materiais), de forma não assistencialista, propiciando uma efetiva de inclusão produtiva dos catadores em grande escala. Constitui ainda um incentivo à formalização das cooperativas de catadores, fomentando o desenvolvimento destas como agentes econômicos no setor de logística reversa.

Do ponto de vista ambiental: sendo baseado na produtividade, e não em medidas assistencialistas, o sistema de créditos incentiva o aumento e diversificação da coleta e triagem de materiais recicláveis.

Do ponto de vista econômico: é uma solução eficiente e de baixo custo para o consumidor. Mecanismos de mercado tendem a ser mais eficientes e baratos do que soluções centralizadas. Adicionalmente, não obstante a relevância dos valores agregados do sistema, o custo unitário dos créditos de logística reversa é baixo se comparado com outras alternativas.

A negociação de Créditos de Logística Reversa é feita pela Plataforma BVRio.

PARCEIRO DA COCA-COLA BRASIL, BANCO DO NORDESTE BUSCA EFICIÊNCIA PARA LEVAR ÁGUA E OUTROS BENEFÍCIOS A REGIÕES NECESSITADAS

Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, recebe o projeto piloto da parceria 
entre Coca-Cola Brasil e Banco do Nordeste(Crédito:  Wander Roberto)

21/04/2017

Não há animal vivente sobre a Terra que não saiba a importância da água — especialmente onde ela escasseia. No Brasil, a luta dos nordestinos pelo acesso ao recurso influencia economia, movimentos migratórios, cultura, tudo. Mudar o destino dos nascidos no semiárido, agenda urgente do Brasil, mobiliza o Banco do Nordeste, nos seus investimentos de responsabilidade social. Entre eles, a parceria com a Coca-Cola Brasil para viabilizar investimento de R$ 20 milhões até 2020 em comunidades de baixa renda que não têm acesso à água potável.

Faz sentido, num país onde 12 milhões de habitantes não têm o recurso em suas casas. “No Nordeste, trata-se de um tema estratégico”, sublinha o economista cearense Marcos Holanda, presidente do banco. “De um lado, trata-se de recurso escasso e limitante para o desenvolvimento econômico. De outro, tem grande dimensão social, especialmente no semiárido”.

Assim, o progresso naquela região do país está atrelado à universalização do acesso ao recurso. “Devemos considerar uso e reúso racionais da água como fatores essenciais ao sucesso de políticas e estratégias de fomento”, acrescenta Holanda, que reconhece o ganho de imagem para a empresa por ações sociais eficientes. Mas é pouco. “Temos os programas sociais como parte fundamental da missão do Banco do Nordeste”, ratifica ele, no cargo há quase dois anos.

Parceria Coca-Cola Brasil e Banco do Nordeste

Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil, e Marcos 
Holanda, presidente do Banco do Nordeste (Crédito:  Eduardo Araripe)

Por conhecer o problema social que se abate sobre a região há séculos, o executivo enfatiza a importância de ações e programas eficientes, com resultados rápidos e significativos. Gerentes de desenvolvimento territorial do banco mapeiam os problemas ligados ao uso e reúso de água por todo o Nordeste, adquirindo conhecimento fundamental para implementar as estratégias necessárias — aí incluídas a articulação entre os setores público e privado.

“Os problemas relativos à água, embora possam ser semelhantes em alguns territórios, não são iguais”, pondera Holanda. “Com esse mapeamento, podemos buscar soluções inovadoras e, caso possível, replicar as iniciativas nas diversas comunidades com problemas similares”. Em cenários muito distintos, algo comum em trecho tão extenso e diverso do Brasil, outras alternativas serão estudadas, para não deixar de socorrer quem precisa.

O mapeamento identifica problemas de diferentes origens e abrangência, histórico e gravidade, urgência e singularidade. É o ponto de partida para a solução dos problemas. Muitos projetos de água e saneamento fracassam na América Latina por concentrar investimentos somente em infraestrutura, em soluções que não atendem a contextos locais, ou por não contemplarem manutenção, operação e viabilidade para expansão.

‘Devemos considerar uso e reúso racionais da água como fatores essenciais ao sucesso de políticas e estratégias de fomento’ — Marcos Holanda, presidente do Banco do Nordeste

Descumprir as etapas, portanto, seria desperdiçar parte ou mesmo a totalidade de investimento tão necessário. Até 2020, o Banco do Nordeste vai direcionar R$ 10 milhões para a aliança formada com a Coca-Cola Brasil (que investirá outros R$ 10 milhões), com o objetivo de viabilizar iniciativas de acesso à água, principalmente no Norte e Nordeste. Além dessa, o Banco do Nordeste desenvolve várias outras ações socioambientais, relacionadas tanto à concessão de financiamentos para o desenvolvimento sustentável da região onde atua, quanto às atividades relacionadas ao funcionamento da empresa em si.

“Destinamos recursos de incentivos fiscais a projetos sociais no âmbito do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA), da Lei de Incentivo ao Esporte e do Fundo dos Direitos do Idoso”, lista Holanda. “Em 2016, por exemplo, contratamos 9.575 operações de financiamento relacionadas ao meio ambiente e à inovação, alcançando o montante de R$ 445,4 milhões por meio dos programas ambientais FNE Verde, Pronaf Semiárido, Pronaf Floresta, Pronaf Eco e Pronaf Agroecologia, além de R$ 590,3 milhões aplicados com recursos do programa FNE Inovação”.

ÁGUA QUE ORQUÍDEA NÃO BEBE



21/04/2017

Famosas por suas flores diferentonas, essas plantas são exigentes e não devem ser regadas com água encanada

Por Marina Gabai

Se você não bebe qualquer água para matar a sede, por que suas orquídeas deveriam? Delicadas e exigentes, elas podem ter a saúde afetada pelo simples fato de serem regadas com água inadequada. Daí a importância de dar uma atenção especial a esse quesito na hora de cuidar dessas plantas.

A água encanada, que normalmente é usada para a irrigação do jardim como um todo, tem uma quantidade muito grande de sais minerais, que interferem no desenvolvimento das orquídeas: eles prejudicam a absorção dos nutrientes da adubação e, consequentemente, afetam o crescimento e o florescimento da planta. Como se não bastasse, o cloro aplicado no tratamento da água faz mal para as raízes das orquídeas.

Segundo o orquidófilo Erwin Bohnke, a melhor água para molhar essas plantas é a da chuva. ” Ela não contém grandes quantidades de sais minerais e ainda é uma opção sustentável. Basta coletá-la em um tonel ou balde, armazená-la em um recipiente fechado e usar quando necessário”, explica ele.
Na falta da água da chuva, a sugestão é usar água mineral. Ela tem sais minerais, mas em menor quantidade que a água da torneira.

Quem não puder usar a água da chuva ou mineral em todas as regas, deve tentar fazer isso pelo menos na hora de dissolver o adubo. Assim, a absorção dos nutrientes não é prejudicada. Nas demais irrigações, recorra à água encanada, e tome o cuidado de replantar a orquídea anualmente.

Assim, o substrato, que retém boa parte dos compostos que fazem mal à planta, será renovado antes de se esgotar.

CÂMERA GRUDADA NO DORSO REVELA OLHAR DE 'BALEIA CINEGRAFISTA' NA ANTÁRTIDA

Câmeras presas às baleias registraram imagens de seu cotidiano (Foto: BBC)

21/04/2017

Pesquisa ajudará a reunir dados sobre animais e seu habitat e contribuirá para esforços de preservação.

Você provavelmente nunca viu a Antártida desta forma: pelos olhos de uma baleia.

Câmeras foram presas ao dorso de animais das espécies minke e jubarte como parte de um novo estudo da ONG World Wildlife Fund (WWF) em parceria com a Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos.

Por meio de ventosas, os equipamentos ficaram grudados de 24 a 48 horas e registraram como elas se alimentam, socializam e se comportam em meio às mudanças climáticas. VEJA O VÍDEO.

Equipamento ficou em animal por até 48 horas (Foto: BBC)

Segundo o Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve, instituto de pesquisa ligado à Universidade do Colorado, em março deste ano, foi registrada a menor extensão de área congelada da Antártida ao longo dos 38 anos em que esses dados são coletados.

A pesquisa com as baleias ajudará a reunir dados sobre os animais e seu habitat e contribuirá para esforços de preservação, em meio aos impactos dessas alterações ambientais.

Imagens serão usadas em pesquisas para entender como mudanças climáticas 
afetam vida das baleias (Foto: BBC)

Fonte: G1 Natureza

O TESOURO EM MINERAIS RAROS ENCONTRADO EM MONTANHA SUBMARINA NO OCEANO ATLÂNTICO

Batizada de Tropic, o monte próximo às Ilhas Canárias tem 3 mil metros de 
altura e apenas um terço dele se destaca na superfície do Atlântico (Crédito: NOC)

21/04/2017

Em uma montanha submarina, nas águas do Oceano Atlântico, está um tesouro de raros minerais.

Uma equipe de investigadores do Centro Nacional de Oceanografia (NOC, na sigla em inglês) do Reino Unido identificou um crosta de rochas extremamente rica em minerais raros nas paredes desse monte, a 500 quilômetros das Ilhas Canárias.

Amostras trazidas à superfície detectaram a presença de uma substância rara conhecida como telúrio em concentrações 50 mil vezes mais elevadas que as já identificadas na terra. O telúrio, comum em ligas metálicas, é usado também em um tipo avançado de painel solar.

A montanha também contêm minerais e terras-raras usados na fabricação de turbinas eólicas e em dispositivos eletrônicos.

A descoberta levanta uma questão delicada: se a busca por recursos alternativos de energia pode impulsionar a exploração mineral no fundo do mar.

Controvérsia

O monte submarino, cujo nome é Tropic, tem três mil metros de altura e seu cume fica a 1 mil metros da superfície.

Os pesquisadores do Centro Oceanográfico Nacional (NOC na sigla inglesa) do Reino Unido usaram robôs submarinos para investigar a crosta de grãos finos que cobre toda a superfície da montanha e tem espessura de quatro centímetros.

Bram Murton, líder da expedição que explora a Tropic, contou à BBC que esperava encontrar minerais em abundância no local, mas jamais imaginou que as concentrações dos mesmos seriam tão elevadas.

"Esta crosta é incrivelmente rica e é isso que faz com que essas rochas sejam incrivelmente especiais e valiosas do ponto de vista de recursos", explicou.

Estima-se que o Monte Tropic tenha 2.670 toneladas de telúrio, mineral 
usado como semicondutor e comum em placas de energia solar (Crédito: NOC)

Debate necessário

Murton calcula que as 2.670 toneladas de telúrio da montanha equivalem a um duodécimo de todo o consumo mundial.

O pesquisador deixou claro que não está defendendo a prática da mineração no mar. A atividade foi recentemente regulamentada pela ONU, mas já provoca controvérsia pelos danos potenciais que pode causar ao meio ambiente marinho.

Ainda assim, Burton quer que a descoberta da equipe dele - parte de um projeto mais amplo chamado MarineE-Tech - provoque um debate sobre de onde devem vir os recursos vitais.

"Se precisamos de energia verde, precisamos de materiais para construir dispositivos capazes de gerar esse tipo de energia [limpa]. E esses materiais têm de vir de algum lugar", disse.

"Ou os tiramos da terra e fazemos um buraco lá. Ou os tiramos do fundo do mar e fazemos ali um buraco comparativamente menor", afirmou Murton, que acredita que esse é um dilema que precisa ser enfrentado por toda a sociedade. "Tudo o que fazemos tem um custo".

Pesquisadores têm pesquisado benefícios e riscos da mineração em terra e no mar.

A descoberta do Mont Tropic levanta o debate sobre vantagens e riscos da 
mineração no fundo do mar (Crédito: NOC)

Vantagens e desvantagens

De forma geral, a mineração em terra implica em desmatar, remanejar povoados e construir vias de acesso para remover rochas com concentrações relativamente baixas de minerais (ou de minério).

No mar, por sua vez, os minérios são muito mais ricos, ocupam uma área menor e o impacto imediato sobre populações é bem menor. A desvantagem é que a vida marinha nas áreas de extração corre praticamente morre, e esse efeito devastador pode se estender rapidamente e, potencialmente, comprometer uma grande área.

Uma das principais preocupações é o efeito da poeira produzida ao se cavar o fundo do mar, que pode viajar longas distâncias e afetar organismos vivos pelo caminho.

Para entender as possíveis implicações, a expedição britânica realizou um experimento no qual tentou reproduzir os efeitos da mineração para medir a quantidade de pó produzido.

Os resultados preliminares, disse Murton, mostram que a poeira não é facilmente detectada a um quilômetro de distância além da fonte. Isso indica que o impacto da mineração submarina poderia ser mais localizado do que o inicialmente previsto.

Rico como a floresta tropical

Outro estudo, conduzido pelo mesmo grupo, avaliou evidências fornecida pela exploração do fundo do mar em curso e concluiu que muitas criaturas marítimas afetadas se recuperariam em um ano. Poucas, entretanto, voltariam a alcançar seus níveis anteriores, mesmo depois de duas décadas.

Uma pesquisa focou em organismos minúsculos no leito do Oceano Pacífico, na região conhecida como Zona Clarion-Clipperton, ao sul do Havaí.

A montanha rica em minerais está a 500 quilômetros das Ilhas Canárias, no 
Oceano Atlântico (Crédito: Reuters

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês) - uma organização ligada às Nações Unidas - autorizou empresas de 12 países a buscar minerais nas rochas do fundo do mar dessa região.

De acordo com Andy Gooday, professor do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, as rochas do fundo do mar têm uma variedade de organismos unicelulares do tipo xenophyophorea muito maior do que se esperava.

Esses organismos estão nos degraus mais inferiores da cadeia alimentar marinha. Também desempenham um papel importante na formação de estruturas sólidas - como se fossem recifes de coral em miniatura - e fornecem habitats para outras criaturas marinhas.

Professor compara a riqueza da vida marinha com a identificada numa 
floresta tropical

Para Gooday, a vida identificada nos sedimentos do oceano profundo é comparável à que existe em uma floresta tropical e "é muito mais dinâmica" do que imaginava.

"Se você remover os organismos unicelulares, que são muito frágeis e certamente serão eliminados pela mineração, outros organismos também serão destruídos", disse.

"É difícil de prever e, como todo o oceano está conectado aos efeitos da mineração, precisamos aprender mais. Nós ainda sabemos muito pouco sobre o que está acontecendo lá em baixo", completou.

Fonte: BBC Brasil

SUDÃO DO SUL: MEDICINA HUMANITÁRIA EM MOVIMENTO

Foto: Siegfried Modola

19/04/2017

Fotógrafo Siegfried Modola fala sobre a provisão de cuidados de saúde às populações deslocadas e em perigo na província de Leer, no norte do país

O Sudão do Sul, país que se separou do Sudão em 2011 após décadas de conflito, está atualmente mergulhado em uma guerra civil entre os grupos étnicos dinka e nuer após tensões políticas entre o presidente Salva Kiir e seu antigo vice, Riek Machar.

O país é a nação mais nova do mundo. É uma região rica em óleo, mas, após anos de guerra, também é um dos lugares menos desenvolvidos no planeta.

Os confrontos dos últimos três anos forçaram milhões de pessoas a fugirem de suas casas, dividiram a população entre grupos étnicos e paralisaram as atividades de agricultura, deixando o país exposto à fome, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda segundo a organização, ao menos um quarto dos sul-sudaneses deixaram suas casas.

A parte sul do antigo estado de Unity, região de origem de Riek Machar, foi gravemente afetada pela violência contínua e pelos confrontos duradouros entre o Exército do Governo pela Libertação da População Sudanesa (SPLA, na sigla em inglês) e pelo exército de oposição (SPLA-IO, na sigla em inglês).

Os civis estão pagando o preço mais alto, já que se encontram na frente de batalha do conflito. A população local não consegue ter acesso sequer aos serviços mais básicos e necessários à sobrevivência. Alimento e cuidados médicos são quase inexistentes, à exceção do que é oferecido por organizações humanitárias, quando há segurança o suficiente para realizarem seu trabalho.

Vilarejos inteiros foram incendiados durante confrontos contínuos. Há relatos constantes de violações graves dos direitos humanos perpetradas por diversos grupos armados que atuam na região.  

As pessoas foram deslocadas de seus lares diversas vezes, ou fugiram por completo de algumas regiões. Atualmente, há cerca de 120 mil pessoas no Complexo de Proteção aos Civis da ONU (PoC, na sigla em inglês) de Bentiu, e muitas delas vieram do antigo estado de Unity.

Após o recomeço do conflito em julho de 2016, a população teve que fugir mais uma vez, enquanto a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) teve de evacuar suas equipes internacionais que estavam em Leer e Thoynor. Em setembro, MSF iniciou um programa de cuidados básicos de saúde para continuar chegando à população necessitada.

Por meio de uma rede de agentes comunitários de saúde, promotores de saúde e promotores de saúde da mulher – cujos membros são parte da população afetada pelo conflito – MSF conseguiu oferecer cuidados de saúde na região.

Agentes comunitários de saúde são treinados para tratar os problemas de saúde mais comuns (como doenças de pele, infecções no trato respiratório, doenças provenientes de água contaminada e malária). Eles ficam na comunidade e, caso a população dali precise fugir, eles vão junto, de modo a continuar oferecendo cuidados. MSF reabastece os grupos de profissionais locais com suprimentos médicos e oferece supervisão e treinamento por meio de suas equipes internacionais.

Decolamos no início da manhã do aeroporto internacional de Juba, capital do país, em um voo de MSF. O aeroporto de Juba é um núcleo de atividade humanitária: diversas organizações de assistência estão tentando mandar suprimentos para a população do país, que carece urgentemente até dos serviços mais básicos.

Estou em um avião de oito lugares com a médica de MSF, dra. Philippa Pet, e um responsável pela segurança, também de MSF, Georg Geyer, líder da nossa equipe. Fazemos um voo de quase duas horas até Thaker, na província de Leer, no norte do país. O avião está cheio de suprimentos médicos e outros equipamentos necessários para nossa estadia de oito dias na floresta.

Aterrissamos em uma parte ventosa e empoeirada da floresta. A cena é desoladora. A certa distância vemos muitos tukuls (cabanas de barro), mas há poucas pessoas por ali.

Duas semanas antes de nossa chegada, Thaker foi palco de confrontos entre diferentes grupos armados. Fomos informados de que muitos homens jovens fugiram com seu gado para outras regiões por razões de segurança.

Alguns minutos depois de nossa chegada, encontramos James*, supervisor de MSF que diz à dra. Philippa que há uma mulher com sérias complicações decorrentes de sua gravidez esperando por tratamento dentro de uma cabana próximo dali. O avião decola para partir sem nós enquanto nos aproximamos da mulher doente.

MSF tem poucos aviões em operação dentro do país, então eles voam com horários restritos. Cada minuto a mais em solo é um minuto desperdiçado em uma localidade diferente.  

A dra. Philippa examina a mulher, cuja gravidez está em estágio avançado. Ela ficou em trabalho de parto durante dois dias, mas o bebê ficou preso e há mais de 24 horas ela não sente nenhum movimento da criança. “Ela precisa ser transferida para nosso hospital de Bentiu”, diz a médica.

O avião que havia decolado há poucos minutos é chamado de volta pelo rádio após a dra. Philippa receber autorização para encaminhar a paciente à equipe de MSF em Juba. A jovem e uma acompanhante são levadas ao hospital de MSF que fica dentro da base da Missão da ONU para o Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês) em Bentiu, na província de Rubkona, para receber tratamento de emergência.

Na noite do mesmo dia, a equipe recebe a notícia maravilhosa de que a mãe está bem e de que o bebê nasceu frágil, mas vivo.

Poucas horas após nossa chegada em Thaker, a equipe estrutura sua clínica móvel ao ar livre.

Há uma área de espera, onde os pacientes recebem um cartão médico e as crianças são pesadas e avaliadas para febre e sintomas de desnutrição. Depois, os pacientes seguem para a área de consulta, onde são mandados para exames de urina, testes de malária ou diretamente para o ambulatório, onde podem receber medicamentos.

Pouco depois de meio-dia, já há dezenas de pessoas esperando ser atendidas sob a sombra de algumas árvores de acácia. São, em sua maioria, mulheres e crianças que vieram receber cuidados médicos. Há alguns homens idosos, mas, durante todos os dias em que estive aqui, vi pouquíssimos homens jovens. Ouvi dizer que a maioria deles partiu para os campos de gado.

O lugar é quente e inóspito. Ao meio-dia, a temperatura deve superar os 35 graus Celsius. A sensação é de secura. O vento queima a pele. Sinto sede constantemente. Não é um lugar em que as pessoas podem se dar ao luxo de adoecer. Eu me pergunto como essas mães e crianças sobrevivem em um ambiente tão hostil.  

Vejo uma mulher que não consegue andar direito se aproximando da clínica com o apoio de familiares. Tento entender o que aconteceu com ela.

Nyalolah*, de 16 anos, chega à clínica com a ajuda de seus familiares, que relatam uma série de episódios de colapso que testemunhamos pouco antes de sua chegada. Durante essas crises, ela fica sem reação e seu corpo inteiro fica tenso.    

A dra. Philippa me diz que a causa do problema não é clara, já que o exame físico não revelou qualquer anormalidade, que as crises não mostram qualquer característica de epilepsia e os exames feitos, ainda que limitados, tiveram resultado negativo. Nesse contexto, é difícil lidar com esse tipo de caso.  

Outra mulher chega com sua filha, que apresenta sinais de desnutrição grave. O bebê parece muito mais novo do que realmente é.

Uma idosa chega acompanhada de um parente – ela anda devagar, apoiando-se na outra mulher. Muitas das pessoas que conheci aqui percorreram longas distâncias para receber tratamento médico.

Vejo outra mulher deitada no chão, ao lado da fila para ser atendida. Ela está muito fraca para ficar sentada.

Uma mulher gravida é estabilizada após ficar inconsciente.

Nos meus três primeiros dias em Thaker, a equipe de MSF tratou mais de 600 pacientes.

Nyareat*, de 24 anos, chega acompanhada de sua filhinha de quatro meses, Nyakueka*, que tem febre. Ela andou durante uma hora para chegar até a clínica.

Há dignidade entre as pessoas que conheci, que enfrentam um grande sofrimento diário para sobreviver.

No fim da tarde, uma mulher com suspeita de meningite chega à clínica acompanhada de um grupo de familiares.

“Essa história deveria ser sobre os profissionais locais de MSF no projeto. Eles são os que enfrentam boa parte dos perigos em suas profissões. Eles são alvejados por gangues armadas que acham que eles têm dinheiro, visto que trabalham para uma organização internacional. Meu trabalho aqui é treiná-los, e garantir que eles saibam diagnosticar e tratar pacientes. Eles que ficam para trás quando vamos embora”, diz a dra. Philippa.

James*, de 33 anos, é supervisor de MSF. Ele trabalha para a organização há um ano e é o líder da equipe nesta região. Ele explica os perigos de seu trabalho.  

“Como agentes de saúde, fazemos um trabalho perigoso. Seguimos a população em qualquer localidade onde esteja ou para onde quer que vá. Uma vez, passei oito horas no pântano com outras pessoas para que pudéssemos nos esconder de homens armados. Cinco pessoas foram baleadas e morreram ao meu lado nesse dia. Também me lembro de ver uma mãe segurando o filho, tentando amamentá-lo, sem saber que ele havia morrido. Contudo, eu amo esse trabalho. Amo servir a minha comunidade, porque as pessoas precisam de assistência médica. Elas precisam que nós estejamos aqui para ajudá-las. Muitas delas morrem porque não conseguem chegar a tempo ao hospital. Muitas crianças morrem de desnutrição, e também pela falta de vacinas”, diz James.

Richard*, de 34 anos, é agente comunitário de saúde de MSF. Ele trabalha para a organização desde 2013. Nesse mesmo ano, o projeto de MSF nessa região foi interrompido por questões de segurança.

“Trabalhamos em uma região de muita insegurança. Por isso, o maior problema para a população local é a falta de alimento e cuidados médicos. Temos que nos concentrar e usar da melhor forma possível os suprimentos que MSF nos manda semanalmente”, diz Richard.

Nyasunday*, de 25 anos, é mãe de quatro filhos: Nyapal*, de um ano, Nyakuoth*, de 5, Nyabora*, de 9 e Nyanhial*, de 8. Ela explica sua situação enquanto espera sua consulta médica:

“Todos estamos sofrendo aqui. Os confrontos destruíram nossas casas e agora temos que ficar na floresta. Precisamos nos esconder o tempo todo, porque tememos por nossas vidas. Meu marido está em Juba e não consegue voltar porque a estrada não é segura para uma viagem. Ele não está aqui para me ajudar, e eu estou lutando para cuidar de meus filhos. Não temos alimento e eu me preocupo muito com o futuro. Muitas vezes nos alimentamos de lírios aquáticos para sobreviver. Essa não é uma boa vida para meus filhos. Torço por um amanhã melhor”, diz Nyasunday.

A situação pode mudar de um minuto para o outro, e as equipes de MSF precisam estar preparadas para agir adequadamente. A prioridade é minimizar os riscos do perigo de grupos armados. Normalmente, equipes de MSF não são alvejados nesse tipo de contexto. Contudo, a imprevisibilidade da situação significa que as coisas podem dar errado de repente.

Na tarde do dia 22 de março, já há cinco dias no projeto, ouvimos relatos da população local sobre movimentos de tropas na região, além de rumores sobre a possibilidade de um ataque na vizinhança.

O coordenador de projeto de MSF em Juba toma a decisão de evacuar os profissionais internacionais no dia seguinte, a fim de evitar que eles sejam pegos em meio ao fogo cruzado do conflito.

Na manhã do dia 23 de março, depois de estruturarmos nossa segunda clínica em Gier, a poucos quilômetros de Thaker, voltamos ao ponto inicial para esperar o mesmo avião de MSF que nos trouxe para nos tirar da região.

Georg Geyer, ponto focal da segurança de MSF e nosso líder de equipe neste projeto, explica as dificuldades de trabalhar no Sudão do Sul:

“Trabalhei para MSF em mais de oito países, mas o Sudão do Sul se mostrou um lugar muito difícil para. Posso enxergar claramente as enormes necessidades da população aqui. Eles precisam de alimento e medicamentos. O acesso a áreas como essa de grande insegurança pode ser desafiador. Sou responsável pela minha equipe, e preciso mantê-la em segurança”, diz Georg.

* Por razões de segurança, todos os nomes foram alterados.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...